sexta-feira, 3 de julho de 2015

                                                ESCOLA RIBEIRINHA
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As casas ribeirinhas da Amazônia

  Uma das mais interessantes construções da Amazônia são as casas nas margens dos Rios. Aliás, para início de conversa é preciso definir o que é uma margem amazônica. A variação dos níveis dos rios pode chegar aos 20 metros entre a cheia e a seca. Assim a margem é um conceito fugidio na região. Imensas áreas são alagadas e em muitas regiões fica difícil encontrar terra firme. As casas devem se adaptar a esta situação complexa. Metade do ano ela fica em terra firme e a outra metade sobre as águas.
  A tipologia adotada é a palafita, cujo piso de acesso fica em geral três a quatro metros sobre o terreno natural. Esta altura varia conforme o nível da maior cheia registrada na região. Encontramos palafitas na Amazônia com mais de oito metros de altura. Como as visitamos na época da cheia (diga-se a maior cheia já registrada, em 2012), não pudemos vê-las pois o nível da água estava apenas meio metro abaixo do piso de acesso. A volumetria é marcada pelos telhados de duas ou de quatro águas e pelas varandas.
  Construtivamente estas casas utilizam estrutura de madeira, material também utilizado nas vedações. Pouco pude observar de construções em alvenaria ou mesmo outros materiais. Nas coberturas são utilizados diversos materiais desde os industrializados (telhas metálicas ou de fibrocimento) até as coberturas feitas com folhas secas trançadas.
                                                                                         Marcos O. Costa arquitetura e urbanismo

quarta-feira, 24 de junho de 2015

a vida desa população

Povos ribeirinhos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
População ribeirinha no Pará. Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Povos ribeirinhos é uma população tradicional que residem nas proximidades dos rios e têm a pesca artesanal como principal atividade de sobrevivência. Cultivam pequenos roçados para consumo próprio e também podem praticar atividades extrativistas.1
As populações tradicionais, entre elas os ribeirinhos, foram reconhecidas pelo Decreto Presidencial nº 6.040, assinado em 7 de fevereirode 2007, nele o governo federal reconhece, pela primeira vez na história, a existência formal de todas as chamadas populações muitos tradicionais.
Ao longo dos seis artigos do decreto, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), o governo amplia o reconhecimento que havia sido feito parcialmente, na Constituição de 1988, aos indígenas e aos quilombolas.
Assim, todas as políticas públicas decorrentes da PNPCT beneficiarão oficialmente o conjunto das populações tradicionais, incluindo ainda faxinalenses (que plantam mate e criam porcos), comunidade de "fundo de pasto", geraizeiros (habitantes do Sertão), pantaneiros, caiçaras (pescadores do mar), ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco de babaçu e ciganos, entre outros.
Segundo o Joshua Project, os povos ribeirinhos no Brasil somam umas 6.513.000 pessoas

a pesca desses povos

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sábado, 20 de junho de 2015

  NAPRA: núcleo de apoio à população ribeirinha da Amazônia
  
O  Núcleo  de Apoio  à População  Ribeirinha  da Amazônia  é  uma  organização  privada 
sem  fins  lucrativos  que  tem  a  missão  de  apoiar  as  comunidades  ribeirinhas  e promover a formação de estudantes e profissionais para ação comunitária no contexto amazônico. 
  As comunidades que apoiamos estão localizadas na zona rural do município de Porto Velho, ao  norte  do  Estado  de  Rondônia,  nas  proximidades  de  3  Unidades  de Conservação Federais  e  em  uma  extensão  de  aproximadamente  200  km  às  margens de  um  dos  mais importantes rios amazônicos – o Rio Madeira.
  Os membros e voluntários do NAPRA passam por um processo de formação sobre o contexto amazônico incluindo temas referentes à organização social, educação, cultura, saúde,saneamento  e  trabalho  na  floresta.  A  formação,  a  vivência  e  a  atuação baseiam­se  na participação social e na promoção do acesso a políticas públicas que proporcionem melhorias nas  condições  de  vida  das  comunidades  ribeirinhas,  com  ações  pautadas  na educação popular.
  Desta maneira, a organização propicia a vivência e o engajamento entre voluntários e ribeirinhos na busca por novos caminhos de desenvolvimento fundamentados na valorização da vida na floresta e de uma efetiva gestão participativa do território amazônico, respeitando a cultura e os saberes tradicionais de seus habitantes.
  Nosso  objetivo  é  possibilitar  novas  formas  de  ver  e  de  estar  no  mundo  através das trocas  e  experiências  vivenciadas,  tanto  no  processo  de  formação  em  São  Paulo como na atuação em Rondônia, e fazer com que os estudantes e profissionais que passam pelo NAPRA se tornem também multiplicadores da causa socioambiental em outras esferas de suas vidas. 
  Acreditamos que qualquer ação visando a conservação da floresta – seus rios, lagos, fauna e flora – deve ser desenvolvida em estreita parceria com as comunidades que a habitam, pois estas populações vivem de maneira integrada à floresta e dependem dela para sobreviver. 
  Os povos da Amazônia são os principais prejudicados pelo desmatamento e pela expansão de grandes  obras  de  desenvolvimento  na  região.  Apoiá-­las  para  continuarem  sendo efetivas guardiãs da Amazônia é o nosso grande objetivo.
desenho napra
www.napra.org.br

sexta-feira, 19 de junho de 2015

 Ribeirinhos substituem alimentação local mais saudável por fast food
A alimentação da população ribeirinha da Amazônia, historicamente baseada no consumo de peixes locais e nos produtos derivados da mandioca, vem sendo substituída por um cardápio com produtos enlatados. " Essas populações estão tendo acesso a uma maior variedade de produtos industrializados, que muitas vezes se enquadram dentro daqueles de uma alimentação tipo ' fast food' , nada saudável", alerta a pesquisadora Gabriela Bielefeld Nardoto, doutora em Ecologia Aplicada pela USP e professora da Universidade de Brasília (UnB).
  A mudança dos hábitos alimentares foi revelada por um estudo da pesquisadora e colegas do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do seu Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades na Amazônia Brasileira (Nepecab).
  A pesquisa tem o objetivo de determinar o quanto o padrão alimentar da população residente ao longo do rio Solimões está vinculada ao acesso à economia de mercado e ao processo de urbanização. Iniciado em 2002, e em fase de conclusão, o estudo baseou-se na coleta de unhas dos moradores dessa região e em entrevistas com roteiro semi-estruturado com o objetivo de avaliar a dieta das pessoas que cederam as amostras de unha.
  A pesquisadora disse que, de uma forma geral, a transição alimentar no Brasil está ocorrendo no sentido da urbanização do meio rural, isto é, a economia de consumo e a economia de excedente estão sendo substituídas pela economia de mercado, ocasionando, assim, mudanças socioculturais.
    

Ribeirinhos estão substituindo alimentação derivada de peixes e mandioca para cardápio mais industrializado.
                  Ribeirinhos estão substituindo alimentação derivada de peixes e mandioca para cardápio mais industrializado.
texto:isaúde.net
foto:Agência Brasil

Como pensam as pessoas de São Paulo





Para quem mora numa cidade grande como São Paulo, é um pouco difícil entender – ou aceitar – como a população ribeirinha vive. Durante seis meses cultivam mandioca e até criam gado às margens dos rios, mas passam toda a outra metade do ano em suas casas de palafita ou no único meio de transporte local – o barco – sem realmente “pisarem no chão”. Seus poucos bois e vacas ficam vivendo em pequenos cercados suspensos.
Hoje tive a oportunidade de ver essa realidade mais de perto. Num pequeno bote do Greenpeace percorremos o rio Juruá e, pela primeira vez desde que comecei a acompanhar a expedição, literalmente pisei na floresta amazônica – o que não acontece com freqüência com a tripulação, já que o navio normalmente é ancorado perto de cidades ou povoados. Difícil foi encontrar um local razoavelmente seco onde o bote pudesse parar para os jornalistas caminharem e fazerem suas reportagens – nessa época do ano 90% da região de mata fica inundada.
Permanecemos na floresta por quase uma hora. No local gravei uma entrevista em vídeo com um representante do Ibama e, quando fui revê-la, curiosamente o áudio estava muito baixo. A imponência da floresta fez com que, sem percebermos, começássemos a quase sussurrar, como se não tivéssemos o direito de perturbar a vida num local que não nos pertence.