Uma das mais interessantes construções da Amazônia são as casas nas margens dos Rios. Aliás, para início de conversa é preciso definir o que é uma margem amazônica. A variação dos níveis dos rios pode chegar aos 20 metros entre a cheia e a seca. Assim a margem é um conceito fugidio na região. Imensas áreas são alagadas e em muitas regiões fica difícil encontrar terra firme. As casas devem se adaptar a esta situação complexa. Metade do ano ela fica em terra firme e a outra metade sobre as águas.
A tipologia adotada é a palafita, cujo piso de acesso fica em geral três a quatro metros sobre o terreno natural. Esta altura varia conforme o nível da maior cheia registrada na região. Encontramos palafitas na Amazônia com mais de oito metros de altura. Como as visitamos na época da cheia (diga-se a maior cheia já registrada, em 2012), não pudemos vê-las pois o nível da água estava apenas meio metro abaixo do piso de acesso. A volumetria é marcada pelos telhados de duas ou de quatro águas e pelas varandas.
Construtivamente estas casas utilizam estrutura de madeira, material também utilizado nas vedações. Pouco pude observar de construções em alvenaria ou mesmo outros materiais. Nas coberturas são utilizados diversos materiais desde os industrializados (telhas metálicas ou de fibrocimento) até as coberturas feitas com folhas secas trançadas.
Marcos O. Costa arquitetura e urbanismo